EDUCAÇÃO ESPECIAL

Inclusão

“….nenhum aluno deve ser excluído da escola com base na natureza ou severidade da sua problemática”.(Correia , 2003).  O diálogo Escola/Famílias é ingrediente básico para uma verdadeira inclusão.

Compete à escola garantir condições a todos os alunos para uma verdadeira inclusão.

Compete às famílias colaborar com a escola, sensibilizando os seus filhos, para a importância de todos na construção/crescimento de cada um.  A beleza reina na diversidade e na partilha.  Aprendemos uns com os outros, independentemente das características de cada um.

 

INCLUSÃO DE SUCESSO-UM PROCESSO LENTO MAS URGENTE

Até à década de 70, assiste-se a um fenómeno de exclusão: as crianças e adolescentes com necessidades educativas especiais, não tinham o direito a frequentar escolas do sistema regular de ensino. Só em 1976, com a criação de “equipas de ensino especial integrado”e mais tarde, com a publicação da Lei de Bases do Sistema Educativo (1986), surge a educação integrada. Um dos principais objectivos, consistia em “assegurar às crianças com necessidades educativas específicas, devidas designadamente a deficiências físicas e mentais, condições adequadas ao seu desenvolvimento e pleno aproveitamento das suas capacidades”.

Posteriormente, surgem as equipas de educação especial, concebidas como “serviços de educação especial a nível local, que abrangem todo o sistema de educação e ensino não superior.”Podemos considerar aqui o momento onde surgem as mais profundas  transformações que dão lugar a legislação(Decreto-Lei nº319/91 de 23 de Agosto) que regulamenta a educação especial.

Com o decreto supra citado, foram criadas as condições legais para que os alunos com necessidades educativas especiais pudessem frequentar escolas regulares gratuitamente, em vez de escolas especiais ou instituições. As escolas regulares dispõem agora de um quadro legal que lhes permite intervenções educativas individualizadas (Planos Educativos Individuais e Programas Educativos).

Com a integração física, estavam lançados os alicerces para a integração académica e posteriormente para os “movimentos de inclusão”, que proclamavam não só o acesso dos alunos de necessidades educativas especiais às classes regulares, mas também,  o direito aos apoios adequados às suas características e necessidades educativas especiais, que lhes garantissem o acesso ao currículo comum.

As alterações foram surgindo no tempo e,  lentamente,  propagando  no espaço.

Desde a década de 90 até aos nossos dias, temos assistido, felizmente, a avanços significativos não só no domínio político, legislativo (Decreto-Lei nº3 de 2008, de 7 de Janeiro), mas também na organização de práticas educativas e na esfera das mentalidades. Porém, muito há ainda a caminhar, não só ao nível da formação do professores, inicial contínua e especializada, como também, ao nível da sensibilização de pais de alunos sem necessidades educativas especiais e comunidade educativa em geral…

Parece-me que, “(…) uma transformação tão profunda, inerente aos princípios da filosofia inclusiva, não pode, única e simplesmente processar-se com palavras, numa contínua retórica passiva mas deve de uma forma concertada, tentar encontrar soluções pragmáticas que permitam a obtenção de resultados concretos.” (Correia 2003).

Os alunos de Necessidades educativas especiais, necessitam e merecem:

-profissionais sensíveis e especializados;

-estratégias de intervenção diferenciadas;

-terapias adequadas;

-equipamento especial;

-espaço físico adequado;

( ….)

Ora, infelizmente, nem sempre, diria mesmo, raramente, as condições necessárias para uma inclusão de sucesso, estão plenamente reunidas, no momento que os alunos delas necessitam.

“…de acordo com Correia(1997), Só estaremos perante uma inclusão com sucesso quando existir:

  • um esforço concertado que inclua uma planificação e uma programação eficazes para a criança NEE;
  • uma preparação adequada do educador/professor do ensino regular, do educador/professor de educação especial e de todos os técnicos envolvidos no processo educativo;
  • um conjunto de práticas e serviços de apoio (e.g.,classes com um número reduzido de alunos, serviços adequados de psicologia, de saúde, etc.) necessários ao bom atendimento da criança com NEE.;
  • um pacote legislativo que se debruce sobre todos os aspectos da inclusão da criança com NEE. nas escolas regulares;
  • e um clima de bom entendimento e de cooperação entre a Escola, a família e a comunidade (p.169). “

Termino a minha reflexão com a seguinte questão: podemos considerar que chegámos já a uma inclusão de sucesso?

Apesar  de tudo, acredito  que vale a pena continuar. Partilho da opinião de muitos autores que defendem, com base em argumentos éticos e pragmáticos, que a inserção dos alunos de necessidades educativas especiais, em ambientes inclusivos só traz vantagens para todos os alunos. Resultados de investigações recentes, mostram claramente que, os alunos de necessidades educativas especiais em classes regulares, se traduzem em benefícios para todos os alunos (com N.E.E. e sem N.E.E.). Todos os alunos beneficiam, não só em termos sociais como comportamentais.

 Fonte:ojornalinhoespirita.blogspot.com

 

DISLEXIA- Problema  de Linguagem

DEFINIÇÃO

A Dislexia corresponde a uma perturbação ao nível da leitura e da escrita que tem suscitado o interesse de neurologistas, pediatras, psicólogos, professores e outros profissionais interessados na investigação dos factores condicionantes do sucesso e/ou insucesso educativo. Diversificadas definições têm sido apresentadas para a problemática da dislexia.

Segundo Vitor da Fonseca, a dislexia é uma dificuldade duradoura da aprendizagem da leitura e aquisição do seu mecanismo, em crianças inteligentes, escolarizadas, sem qualquer perturbação sensorial e psíquica já existente.

Outros autores consideram a dislexia um problema de linguagem, como passo a apresentar: “Distúrbio específico da linguagem de origem constitucional, caracterizada por descodificação de palavras isoladas, causada por uma ineficiência no processamento da informação fonológica. Tais dificuldades na descodificação das palavras isoladas são geralmente inesperadas em relação à idade e a outras habilidades cognitivas e académicas, não resultando de um distúrbio geral de desenvolvimento ou de impedimento sensorial. A dislexia manifesta-se em graus de dificuldade variáveis em relação a diferentes formas de linguagem, geralmente incluindo, além das dificuldades para aprender a ler, um notável problema para adquirir proficiência em escrita e ortografia(Lion, 1995 Orton Dislexia Society Research Committee, cit: Santos, 2002).

Para além dos problemas de leitura e de escrita supra referidos, os alunos disléxicos, em geral apresentam outros problemas, decorrentes da não identificação e acompanhamento atempado, tanto mais graves quanto mais tarde for diagnosticado e acompanhado.

 

 

COMO DIAGNOSTICAR

Embora existam sinais de  típicos da dislexia logo na primeira infância(atraso na aquisição da linguagem oral, confusão no vocabulário relativo á orientação espacial, dificuldade em elaborar rimas…) é científicamente aceite que só aos sete anos é possível confirmar diagnóstico de dislexia. Existem já estudos conclusivos, relativamente a sintomas e características da  dislexia. Consideram-se relevantes, entre outros os seguintes sinais de alerta:

  • Um atraso na aquisição das competências da leitura e da escrita;
  • Confusão entre letras sílabas ou palavras com diferenças de grafia(a-o; c-o; e-c; f-t;…);
  • Confusão entre letras, sílabas ou palavras com grafia semelhante mas com diferente orientação no espaço (b-d; d-p; b-q d-q;…);
  • Substituição de palavras por outras idêntica de estrutura, mas com significado diferente (saltou – salvou;….);
  • Adição ou omissão de sons, sílabas ou palavras (famosa-fama; casaco-casa,….);
  • Leitura silábica, hesitante e com muitas incorrecções;
  • Problemas de compreensão semântica;
  • Ilegibilidade da escrita, letra rasurada, presença de muitos erros ortográficos e discurso escrito com ideias desordenadas e sem nexo;
  • Leitura pode surgir em espelho;
  • Baixa compreensão leitora;
  • Erros ortográficos(naturais ou arbitrários);
  • Outros sintomas que podem vir associados são:

dificuldades de memória a curto prazo;

problemas ao nível da motricidade fina;

problemas na percepção Visio – espacial;

problemas na organização espacio – temporal;

défice de atenção, com ou sem hiperactividade;

desorganização e pouco empenho no trabalho.

Maria de Fátima da Silva Coito de Almeida

Para uma avaliação diagnóstica cuidada, é fundamental submeter o indivíduo a um conjunto de testes, entre outros – uma bateria de leitura que pretende avaliar as várias áreas da linguagem: noção de fonema/grafema e de sílaba, a consciência fonológica (se detecta o erro, a rima, se faz segmentação silábica) – fonologia; alterações ao nível semântico, morfossintáctico, lexical e pragmático; alterações da estrutura rítmica…

Com base numa análise criteriosa dos dados da avaliação, caso se confirme o diagnóstico de dislexia, deve definir-se um plano de intervenção, adequado a cada caso, pois trata-se de uma problemática multifacetada(dislexia visual,auditiva, mista).

Estudos recentes mostram que crianças que apresentam sinais característicos de dislexia e passam a receber treino fonológico a partir do jardim de infância e do primeiro ano do 1ºciclo, apresentam menos problemas na aprendizagem da leitura do que outras crianças que não sejam identificadas e devidamente acompanhadas até ao terceiro ano do mesmo ciclo .

Conforme vários investigadores têm comprovado, os métodos de ensino multissensoriais, estruturados e cumulativos são considerados os mais eficientes.

A ESCOLA E A FAMÍLIA  – SUA IMPORTÂNCIA NO PROCESSO DE ENSINO/APRENDIZAGEM

O sucesso pessoal e académico de todos os alunos em geral e destes em particular, depende em grande parte da atitude da família e da escola.

A atitude pedagógica de um professor perante um aluno disléxico é fulcral, não só no seu processo de ensino/aprendizagem, como também no seu percurso pessoal. É necessário ter presente que, o facto de um indivíduo ser disléxico, não significa que tenha um coeficiente de inteligência inferior aos indivíduos do seu nível etário (pode até ser superior), no entanto, o seu percurso académico e pessoal pode estar condenado ao insucesso, se a atitude pedagógica do docente não for adequada, ou se a família não colaborar com a escola, no processo de reeducação. Cabe ao docente:

  • propor ao aluno as actividades adequadas às suas potencialidade e características;
  • ter presente que um aluno disléxico necessita de mais tempo para concretizar as tarefas;
  • verificar se as tarefas propostas, estão inteiramente claras para o aluno;
  • utilizar o reforço positivo, sempre que o aluno tem sucesso;
  • não penalizar o aluno pelos erros ortográficos decorrentes da sua problemática (dislexia);
  • adequar métodos e materiais pedagógicos à problemática do aluno;

(…)

Compete à escola, com anuência e colaboração do encarregado de educação,  elaborar o Programa Educativo Individual,  onde ficam registadas as medidas educativas a implementar ao aluno, adequadas a esta problemática, ao abrigo do Decreto – Lei nº3  2008, de 7 de Janeiro.

Compete à família colaborar com a escola, no processo ensino/aprendizagem  do seu educando, prestando todo apoio ao nível emocional e cumprimento de actividades  escolares, comunicando à escola dificuldades que possam surgir em casa.

BIBLIOGRAFIA

Fonseca, Vitor. – Insucesso escolar: Abordagem psicopedagógica das dificuldades de aprendizagem – Âncora Editores, Lisboa 1999

Santos, Maria Thereza M.,Navas, Ana LuÍza G. P.,( 2002). Distúrbios de leitura e  Escrita-Teoria e Prática, Edições Manole, Barueri – Brasil


 

 

 

Maria de Fátima da Silva Coito de Almeida

Comentários
  1. Tomás diz:

    Na minha óptica todos deveríamos defender as pessoas deficientes.

    Tomás Cascão,14 anos.

    • Fatima de Almeida diz:

      Parabéns Tomás pelo tua sensibilidade, espírito de partilha, solidariedade…
      Muito obrigada pela tua participação.
      Fátima

  2. Anónimo diz:

    Parabéns pelo trabalho desenvolvido! Foi dos melhores que já vi e que já li sobre este tema.
    Não existem adjectivos para qualificar este trabalho.continuem o vosso projecto!

    • fatimadealmeida diz:

      Bem haja pela participação no nosso trabalho.
      Que concretize muitos projectos na sua vida, com o sucesso merecido.
      Fátima de Almeida.

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