Saber dizer não!

 

 
 
 
Saber dizer “não”
 
Embora a necessidade de dizer “não” esteja quase sempre associada à educação e, em especial, à disciplina que é suposto adquirir nos primeiros anos de vida, a questão é muito mais vasta, abrangente e complexa do que parece à primeira vista.
Começando pela relação entre pais e filhos, somos obrigados a reconhecer que, nos dias que correm, nos é cada vez mais difícil dizer “não”! Seja para evitar conflitos, pelo medo de sermos menos amados ou porque, subterraneamente, nos sentimos culpados pelo tempo ou pela atenção que nem sempre conseguimos dispensar aos nossos filhos, é muito mais fácil dizer sim. 
Ainda por cima porque, aqui que ninguém nos ouve, sabemos que quando entramos num braço-de-ferro com uma criança ou um adolescente, corremos sérios riscos de sair a perder. Primeiro porque as crianças são seres extraordinariamente sofisticados e tecnicamente preparados para testar todos os limites e, depois, porque os adolescentes conseguem ser tão abrasivos na argumentação e poderosos na capacidade de resistência, que nos levam a desistir muito mais facilmente do que gostaríamos. 
Uma vez fechado este parêntesis sobre a inutilidade dos braços-de-ferro, cabe sublinhar que, apesar de tudo, e, por vezes, contra todos, é preciso aprender a dizer “não”! E a boa notícia é que é infinitamente mais fácil do que imaginamos à partida e tem efeitos incrivelmente luminosos. 

Os especialistas na área do comportamento são unânimes em considerar a questão do “não” uma prioridade absoluta e garantem que podemos definir limites com amor e firmeza, sem os excessos empobrecidos da culpabilidade ou da dita autoridade pela autoridade. 

“Um pai que nunca fosse capaz de dizer “não” seria alguém perfeitamente aterrador para o seu próprio filho”, escreveu recentemente Claude Halmos, psicanalista francesa e autora de vários livros importantes sobre esta e outras matérias relacionadas com pais e filhos. 

Pensando bem, alguém que não seja capaz de dizer “não” (seja aos outros ou a si mesmo) é alguém perfeitamente aterrador para si próprio. 

Ter limites é essencial para viver. Para perceber questões fundamentais como o respeito (próprio e pelos outros), a verdade (consigo e com os outros) e, ainda, a substância de que é feito o amor (por nós e pelos outros), a verdade (consigo e com os outros). E se insisto na questão de termos muito presente que tudo se aplica igualmente a nós e aos outros, é porque acredito que só a partir desta consciência é que podemos crescer, fazer mais e melhor. E perceber que só sabendo dizer “não” é possível dizer”sim”.                                                                                                                                                 

Laurinda Alves in À LUZ DO DIA, 21.05.2004 

Não

Comentários
  1. Carina Santos diz:

    Ola a todos!
    Depois de ter feito uma leitura deste blog gostava de deixar uma mensagem de apreço para todos voces. Tanto o designe, os temas abordados, a linguagem utilizada foi tudo muito bem conseguido. Está dinamico, interressante e com temas muito oportunos como este! Penso que o João conseguiu resumir aqui muito bem este problema que nos assola tanto nos dias de hoje…
    Cumprimentos e continuação de bom trabalho!

    • fatimadealmeida diz:

      Carina, bem haja pelo tempo que nos dedicou. Que concretize também com muito sucesso todos os seus projectos pessoais e profissionais.
      Com os melhores cumprimentos
      Fátima.

    • joaoarmindo diz:

      Carina, agradeço o seu comentário assim como o tempo prestado na leitura do artigo! Espero que os artigos expostos tenham utilidade no seu dia-a-dia!
      Cumprimentos e felicidades
      João

  2. Isabel diz:

    Gostei de ler este blog. Contém temas interessantes e actuais que a todos dizem respeito, profissionais da educação e pais. Li artigos que dada a pertinencia nos obrigam a repensar situações com as quais lidamos diariamente e nem sempre da melhor forma. A brevidade do tempo pelo excesso de compromissos levam-nos a não ponderar devidamente nos “sins” ou “nãos” que parecendo inofensivos, implicam pequenas ou grandes decisões.
    Obrigado pelo vosso contributo.

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