Porque sim, porque não!

Porque sim, porque não!

A investigação psicossocial tem demonstrado que os comentários positivos de pais para filhos são essenciais para a construção de uma identidade mais segura dos mais novos, ao favorecerem a construção da auto-estima, afinal a noção que temos de nós próprios e que nos permite suportar as dificuldades do quotidiano. Por isso podemos concluir que se os pais forem capazes de contribuir para uma boa auto-estima dos seus filhos estarão a dar-lhes capacidades para eles serem mais capazes de triunfar.

Como podem os pais melhorar, na prática, a auto-estima dos seus filhos? Por exemplo, desde muito cedo, gratificando os progressos que eles vão tendo no seu desenvolvimento, elogiando mais do que criticando, favorecendo a autonomia de um modo adequado à idade. Uma criança que inicia os primeiros passos pode em princípio ser amparada, mas rapidamente os adultos deverão estimular a que ande sozinha, ao mesmo tempo que deverão exprimir o seu contentamento com os progressos obtidos. Um adolescente terá receio da sua primeira saída à noite, facto que os pais deverão registar em contacto com ele, mas a atitude dos adultos deverá passar também pelo encorajamento, se os pais estiverem convencidos que as relações com os amigos são essenciais na adolescência.

É importância de saber escutar de uma forma activa, isto é, estar muito atento ao que os mais novos têm para dizer, mas ao mesmo tempo ir reformulando o que se ouve, de modo a fortalecer a relação  e a auto-estima.

É assim importante dizer sim, mas também é importante dizer não. Não se pode educar uma criança concordando com tudo o que ela diz ou faz, desde muito cedo é também importante traçar limites, introduzir a frustração, exercer um controlo sereno mas firma. Na sociedade de consumo em que vivemos, os mais novos são alvos de pressão para terem cada vez mais e devem ser os pais a ajudá-los a pensar e a SEREM cada vez mais. E se acima de tudo defendemos a escuta activa e o diálogo, também há situações inegociáveis, momentos da vida familiar em que o “não” é a única palavra que os pais deverão utilizar. Por exemplo, jamais deverá qualquer dúvida sobre que manda em casa, em caso de divergência de opiniões entre pais e filhos, como tantas vezes acontece na adolescência. O estilo de liderança democrático, em que os pais ouvem os filhos mas não abdicam das suas convicções, é o que se tem revelado mais eficaz na condução das famílias. Quer isto dizer que tudo vai mal se a hierarquia familiar está perturbada, se são os filhos que decidem os rituais familiares e as regras da casa, como chega a acontecer em certos casos. Quando existe uma doença mental, esta situação parece acontecer com mais frequência, porque os progenitores receiam “traumatizar” os filhos e abdicam das suas convicções.

E por isso precisamos, com os nossos filhos, netos e alunos, de saber dosear, cada vez melhor, o sim e o não…

Texto de Daniel Sampaio

05/03/2003

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